
Como parte do eixo “Expressão Artística” do Programa IAS Integra, o educador Lúcio Araújo, das Escolas Municipais Dr. Onofre Dias Ladeira e Francisca de Gomide Araújo Simões, em Rio Novo (MG), desenvolveu uma atividade que uniu colagem, leitura e teatro.
A proposta consistia em pedir que os alunos procurassem, em jornais, revistas e livros antigos e inutilizados, 15 palavras que lhes chamassem a atenção. Depois, deviam recortá-las e colá-las em uma folha em branco.
Em seguida, a turma observou os critérios que levaram a essas escolhas: cor, tipografia, tamanho da fonte, significado e outros. Após essa análise, os alunos foram divididos em grupos e instruídos a criar cenas teatrais a partir das palavras selecionadas. A atividade envolve criatividade artística, criação e interpretação de texto, construção dramatúrgica e improvisação cênica.
Para Lúcio, ministrar as oficinas tem sido uma experiência marcante. “Ministrar as oficinas de teatro pra essas crianças tem sido uma experiência reconfortante. Levar arte a escolas públicas de ensino infantil num contexto em que o acesso a ela é negado a certos públicos é um serviço urgente e a resposta é sempre muito positiva”, afirma. “As crianças são dispostas, interessadas, criativas, cheias de ânsia em se expressar por meio da arte, com talentos que são pouco incentivados num sistema de educação mais tradicional.”
O educador destaca ainda o impacto do trabalho na formação de público e na apresentação da arte como caminho profissional. “É um serviço, inclusive, ao teatro em si. Formação de público. O laço que se cria entre a criança e o palco desde cedo é algo muito rico. A criança apresentada ao teatro na infância muito provavelmente se torna um adulto com o hábito de assistir a espetáculos. É uma oportunidade, inclusive, de apresentar a essas crianças a arte como um ofício, uma possível profissão. Que é possível viver do teatro, que há pessoas.”
Segundo Lúcio, os benefícios vão além disso. “Mais do que isso…Para além disso, o teatro é um instrumento muito rico de autoconhecimento e de tolerância ao outro. Isso se mostra até mesmo nas dinâmicas mais simples em sala de aula.” Ele conta que a colaboração aparece nas turmas multisseriadas, com diferentes níveis de alfabetização: “Como temos turmas multisseriadas, com níveis diferentes de alfabetização, eu, por vezes, testemunho um trabalho colaborativo muito gratificante entre os colegas, uma disponibilidade genuína das crianças mais velhas, já alfabetizadas, em auxiliar aquelas que ainda estão em processo de alfabetização.”
A experiência também tem um significado pessoal para o educador. “Eu vejo nessas crianças o meu eu do passado, com poucas referências, que precisou furar uma bolha muito grande pra acessar a arte como direito e, posteriormente, enxergar a possibilidade de exercê-la como profissão.”